Nas arenas romanas os homens se digladiavam, se matavam por nada e para nada – Ilustração da internet.

“A gratidão é um peso, e a vingança, um prazer” – quem disse isso foi Tácito (historiador e senador romano, até o ano 100 depois de Cristo).

O pensador de Roma continua vivo pelo simples fato do ódio, a vingança e a inveja continuarem sendo os elementos que mais unem grupos adversários em prol de uma causa. Na política isso é bastante atual. Nestas eleições municipais, vimos o ódio escorrer pelo canto da boca de muita gente, a vingança sendo devorada como prato frio e a inveja utilizada como arma dos incompetentes direcionada contra o sucesso dos outros.

Para muitos valeu mais passar na cara do adversário que ele perdeu, do que a sua própria vitória. É tanto que inúmeras pessoas comemoram mais a derrota do outro do que o fato de ter vencido de verdade. Ou seja, não aderimos ao time por amá-lo, mas por odiar o outro lado.

E a gratidão? Esse é um elemento de difícil convivência com o ser humano e principalmente na batalha política. Quem explicou isso poeticamente foi o paraibano Augusto dos Anjos ao dizer: “a mão que afaga e a mesma que apedreja”. A imensa maioria encara o bem e a gratidão como virtudes que revelam suas fraquezas, pois a pessoa que a ajudou será eterna testemunha dos seus pedidos e crises; porém, o ódio, falsamente traz a sensação de superioridade e leva o sujeito ao ataque sem medidas.

Igualmente candidatos foram usados como “bode expiatório” – situações em que a pessoa paga pelos outros, é acusada e punida por algo que não fez ou não teve responsabilidade direta. Antes que sua inocência seja provada, as pessoas o repudiam, zombam e insultam sem, nem mesmo, saber das verdades por trás dos fatos.

Para não ser cansativo, é bom pular o item “leilão” de consciências para não estragar o raciocínio – foi o mercado livre de votos, sempre mais escancarado.

O triste é que depois de milênios, evoluímos em inúmeras conquistas sociais, econômicos e estruturais, mas continuamos nos revelando rasteiros e humanamente atrasados. A eleição ajudou a revelar o coração do homem. Mostrou a intriga de pudor e poder. O vale tudo que alimentou a trama para soltar Barrabás, em detrimento de Cristo, está mais viva do que nunca. Foi Belchior quem cantou isso: “ainda somos os mesmos…”.

Se em sua cidade foi assim, talvez não seja mera coincidência.

Rafael San – ManchetePB