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Alpinista de Guarabira é homenageado no Monte Aconcágua, na Argentina

Izzo mandou fazer uma faixa com a foto, nome e a última frase do montanhista e levou em sua mochila (Foto: Jornal de Itupeva)
Izzo mandou fazer uma faixa com a foto, nome e a última frase do montanhista e levou em sua mochila (Foto: Jornal de Itupeva)

O alpinista guarabirense Josenildo Correia da Silva, falecido ao realizar o sonho de chegar ao cume do Aconcágua, que possui quase 7 mil metros de altitude e é a maior montanha das Américas, foi homenageado na última semana, exatamente 3 anos após seu desaparecimento.

josenildo21O paraibano foi homenageado pelo montanhista paulistano Luiz Carlos Izzo, que levou em sua mochila uma faixa com a foto, nome e a última frase do guarabirense na esperança de conseguir estendê-la no cume da maior e mais alta montanha das Américas. A homenagem foi feita após Izzo ter tomado conhecimento do fato por meio de amigos montanhistas, que participaram da expedição ao lado de Josenildo.

“Conheci o grupo de brasileiros a qual fazia parte Josenildo e faço questão de enviar as condolências à família e lembranças a todos os amigos participantes. Josenildo era um grande montanhista e realizou seu grande sonho de alcançar o cume do Aconcágua”, disse o guia especializado de alta montanha, o argentino Hermano Sebas, que fez questão de participar da homenagem.

A expedição
Josenildo estava em um grupo formado por cinco pessoas, sendo três de Limeira, em São Paulo, ele e um mineiro. Conforme o empresário paulista Paulo Cesar Bussamara, que fazia parte do grupo, as condições climáticas no monte estavam difíceis e a equipe foi se desfazendo aos poucos. Bussamara foi o primeiro a desistir, no dia 28 de fevereiro.

“Não pude continuar, tive uma infecção dias antes da viagem e comecei a não me sentir bem durante a expedição”, afirmou. O último do grupo a ver Josenildo foi Ademir Silva, também de Limeira.

O objetivo da expedição, conta o empresário, era chegar ao cume do monte Aconcágua, que tem quase 7 mil metros de altitude.

“O Josenildo estava muito obstinado em chegar ao topo. Ele disse que desta vez não tinha ido ao Aconcágua por brincadeira”, afirmou Bussamara.

‘Era o sonho dele’, diz esposa
De acordo com a esposa do alpinista paraibano, concluir a expedição e chegar ao cume do monte era o grande sonho do seu marido.

“Era o sonho dele, sempre que ele ia e voltava, ele dizia que não ia mais, mas passava algum tempo e ele já começava a falar em ir de novo”, disse Alessandra Pereira, esposa de Josenildo. Segundo Alessandra, era a quarta grande escalada que o esposo fazia, e sua terceira ida ao monte Aconcágua.

“Ele sempre ia na meia temporada, porque em alta temporada é mais caro e as condições não davam, e nesse período o frio é maior, das outras vezes ele teve que desistir antes de concluir a escalada por causa do frio, mas agora ele queria alcançar o cume”, falou.

Josenildo era casado com Alessandra há 15 anos; o casal tem uma filha (Foto: Arquivo Pessoal)
Josenildo era casado com Alessandra há 15 anos; o casal tem uma filha (Foto: Arquivo Pessoal)

Preparação
Josenildo e Alessandra são do município de Guarabira, que fica no Brejo paraibano. Eles eram casados há 15 anos e têm uma filha. Segundo Alessandra, o marido era apaixonado pelo alpinismo.

“Ele começou a fazer escaladas há dez anos na Pedra da Boca, em Araruna, e sonhava em fazer no gelo. Começou a ler livros e ver reportagens sobre o assunto e se comunicar com outras pessoas pela internet, todas as viagens que ele fez ele arrumava tudo pela internet, conhecia as pessoas e acertava”, disse.

Josenildo foi o primeiro paraibano a chegar ao cume do Aconcágua (Foto: Reprodução/Facebook)
Josenildo foi o primeiro paraibano a chegar ao cume do Aconcágua (Foto: Reprodução/Facebook)

Após 2 anos, família recebeu pertences
Após dois anos, a família do alpinista recebeu os equipamentos usados pelo guarabirense, que morreu após chegar ao cume do Aconcágua, na Argentina. Ele é o primeiro paraibano a conquistar o monte, que é considerado o topo das Américas.

A mochila e o material que auxiliou Josenildo na sua última aventura foi entregue recentemente pelo Consulado Brasileiro a Alessandra Pereira da Silva, viúva do alpinista. De acordo com familiares, aquela teria sido a quarta subida ao Aconcágua e a primeira até o cume.

Na caixa recebida por Alessandra, havia uma bota, uma lanterna, suplementos alimentares, bastões de trekking e as bandeiras de Guarabira e da Paraíba. “Ter esses pertences comigo é muito importante, é pra o resto da vida”, disse a mulher

Aconcágua
O Aconcágua é o ponto mais alto das Américas. O pico fica localizado nos Andes argentinos, a cerca de 110 quilômetros de Mendoza. A montanha representa um desafio para os alpinistas, que têm de enfrentar o frio e a escassez de oxigênio, comum em grandes altitudes, para tentar atingir o seu pico.

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