Bolsonaro: ‘um soldado e um cabo’ para acabar com o Supremo

O que é preciso para acabar com a democracia de um país? Para o deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) bastam “um soldado e um cabo”. A fala estupidamente golpista sobre como acabar com Supremo Tribunal Federal (STF), a corte máxima do judiciário brasileiro, repercutiu de forma negativa ontem (21) nos meios político e jurídico. Até pelo pai, candidato à presidência, Jair Bolsonaro (PSL), que classificou a fala como de alguém que “precisa consultar um psiquiatra”.

A declaração do deputado mais votado do Brasil, foi dada em julho, durante uma aula num cursinho, em Cascavel (PR).

Decano do Supremo, o ministro Celso de Mello, tornou pública uma nota em que repudia a fala de Eduardo Bolsonaro. Republicamos a nota na íntegra a seguir.

“Essa declaração, além de inconsequente e golpista, mostra bem o tipo (irresponsável) de parlamentar cuja atuação no Congresso Nacional, mantida essa inaceitável visão autoritária, só comprometerá a integridade da ordem democrática e o respeito indeclinável que se deve ter pela supremacia da Constituição da República!!!! Votações expressivas do eleitorado não legitimam investidas contra a ordem político-jurídica fundada no texto da Constituição!

Sem que se respeitem a Constituição e as leis da República, a liberdade e os direitos básicos do cidadão restarão atingidos em sua essência pela opressão do arbítrio daqueles que insistem em transgredir os signos que consagram, em nosso sistema político, os princípios inerentes ao Estado democrático de Direito”.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) repudiou a fala. “As declarações do deputado Eduardo Bolsonaro merecem repúdio dos democratas. Prega a ação direta, ameaça o STF”, afirmou, em rede social.

“Não apoio chicanas contra os vencedores, mas estas cruzaram a linha, cheiram a fascismo. Têm meu repúdio, como quaisquer outras, de qualquer partido, contra leis, a Constituição”, concluiu FHC.

O candidato do PT na disputa eleitora, Fernando Haddad, classificou a fala como uma ameaça. “Há muito medo de violência por parte de Bolsonaro. Um filho dele chegou a gravar, de um pensamento, se é que se pode chamar de pensamento o que eles falam, é uma coisa tão impressionante que não sei se pensam para falar”, afirmou o petista.

Confira a declaração do deputado

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FOI MANCHETE