
O clube a levantar a taça da supercopa da Espanha tem dono e é o Barcelona… Uma grande partida do Barcelona contra o Real Madrid, a superioridade coletiva do time catalão ficou nítida o jogo todo. Por muitas vezes, a partida foi o Real tentando aturar o Barcelona atacando e esse disparidade entre as duas equipes já é uma realidade de muito tempo.
O jogo começou com a bola nos pés do Barcelona e assim foi até o final! O Madrid teve uma dificuldade imensa de ficar com a posse da bola e precisou se manter firme na sua área de defesa pra sustentar o jogo e os seus próprios limites. O Barcelona, no primeiro terço do jogo, foi praticamente o único atacar, era quem chegava na área com jogadas claras.
O bom futebol do Barcelona foi nítido contra o maior clube do mundo; teve um nome dominante na zaga que foi um dos jogadores que mais pegou na bola o jogo todo, já que a marcação do Real priorizava Paul Cubarsi… Eric Garcia foi o pilar que deixou o ataque recuperar o fôlego. E a grande ligação do meio pro ataque catalão foi o seu camisa 8 Pedri! Pedri flui o jogo! Ele é o refino de Busquets e a versatilidade de Iniesta em um só! Foi de grande importância pra inferiorizar o Real Madrid na partida.
Os merengues tinham muito pique pra marcar, mas tinham muita dificuldade de sair de trás. Depois daquele senhor gol do Raphinha pra abrir o placar, era a hora de um Real Madrid muito mal fisicamente correr atrás.
No decorrer da partida, aquele jogo que tinha o Barcelona como favorito começou a ser desenhado de outra forma. A má fase do Vinícius foi embora por alguns minutos! Nesse Real Madrid de contra-ataques inconcluídos, Vinícius recebe uma bola da área de defesa e ele não desperdiça! Vinícius HUMILHA Koundé na lateral. O individual desafoga o Real… E que golaço alá Vinícius.
Como tudo que é bom dura pouco–e a constância do time de Xabi Alonso mais ainda–em menos de um minuto, com a aura de um camisa 9 que joga mal o jogo todo mas crava quando precisa, o Barça faz outro gol. Logo em seguida o gol do Real Madrid e um gol que quase faz sair pela boca o coração do torcedor madridista porque quase que a bola não entra.
O melhor dos dois times, principalmente do Madrid, apareceu nos 3 minutos de acréscimos do final do primeiro tempo. O gol de Gonçalo Garcia pra empatar o jogo foi o terceiro ainda naqueles poucos minutos que antecederam o final da primeira etapa.
A volta de Lamine ao seu estilo de jogo natural–aquela condução que enlouquece os marcadores–voltou! Yamal balança e costura todo o lado esquerdo do Real. E havia ali, uma ligação de passes longos muito bonita entre Raphinha e Lamine. O ataque do Barça foi superior até demais.
E após tantas coisas que já eram esperadas, o esquentar do clássico apareceu no segundo tempo. Muito bate-boca, muita confusão e a expulsão de De Jong, que é incontestavelmente merecida! A sola do De Jong vai na canela do Mbappe em uma jogada que não chegou a ser perigosa. E Mbappe esse que entra aos 75 minutos, hoje ele deixou Vinícius ser o melhor em campo. O problema é que Vinícius não anda jogando a metade do que joga o Mbappe na temporada pra competir com ele, o time não roda sem Kylian Mbappe em campo!
Real não foi superior ao Barcelona em nenhum momento e isso ficou claro. Mas o Real não se importa de deixar o adversário jogar mais e ser superior. O Real não dá crédito pras vantagens do outro lado e isso cansou o Barcelona em certo momento. O Madrid é um gigante que tem senso de que é gigante e que isso vai pesar numa decisão. E por isso que o Real fica de pé até pouco antes do terceiro gol do Barcelona. O time todo é alimentado por uma síndrome de superioridade.
Mas a questão é que o Barça sabe dar aula de futebol no Real Madrid e o Real Madrid aprendeu a anular o jogo do Barcelona. E, numa final, o acaso vai dizer o que pesa mais. O Barcelona foi campeão merecido contra o Real Madrid e, em nenhum momento, deixou de jogar. O Barcelona é indiscutivelmente mais time e isso se esclareceu nesse último clássico.
Rafael San Filho – Colunista Esportivo


