Quem não conhece, ou ao menos já ouviu falar, do Feliciano Silva? Ou simplesmente Zé de Orlando (O Cabeça de Bujão)? Uma das figuras mais conhecidas do rádio guarabirense que, pela magnitude da audiência que a Rádio Cultura tinha, através das ondas do canal 790 AM, fez a voz do Cabeça de Bujão soar e entrar na casa de milhares de pessoas em toda a região do Brejo paraibano.

Zé, de personalidade forte e uma forma própria de fazer rádio, não só entrou na casa de milhares de pessoas, como também fez-se entrar na vida e na história de algumas delas. Recordo-me das vezes que, na minha adolescência, ouvia, juntamente com meus pais e, vez ou outra, com minha tia, no horário do almoço – entre as 12h e 14h – o programa de maior audiência no rádio regional: Tribuna do Povo. Eu, apesar de não entender muito de rádio, achava o programa espetacular, pela forma irreverente e pela originalidade que ele trazia para os ouvintes. O tempo passou e mal sabia eu que, nos próximos anos, estaria fazendo parte da equipe daquele Programa que eu tanto ouvia, ria e também me emocionava. Tive a honra de trabalhar, ao lado do companheiro Zé de Orlando, como operador de áudio de um dos programas mais complexos no que se refere à condução de trilhas, vinhetas, improvisos e, “se virando nos trinta”, atendendo a três telefones, fazendo anotações e não perdendo, em um minuto sequer, o foco do Canhão do Brejo. No ramo da comunicação, o Tribuna do Povo foi uma grande escola para mim.

MOMENTOS MARCANTES

Naqueles corredores da Rádio Cultura, nos intervalos comerciais, Zé de Orlando fez o dia triste de muitas pessoas se transformarem em verdadeiro sinal de esperança. Pessoas de todas as idades, de vários locais da nossa região, procuravam o maior programa filantropo do rádio guarabirense para pedir ajuda – as mais variadas possíveis. Em prol do bem comum vi, por muitas vezes, o nosso Zé “cometendo alguns assassinatos”, pois ele MATOU, E MATOU MESMO! a FOME de muita gente. Assassinou a fome por diversas vezes, ressuscitou esperanças, transformou dias tristes em verdadeiro sinônimo de gratidão. Cabeça de Bujão, como era conhecido, se doou muitas vezes para ajudar muita gente. Fez campanha, ajudou desconhecidos, deu alimento a quem não tinha um pão, e partilhou “o pão” com quem precisou. Se os corredores da antiga Rádio Cultura AM 790 falassem com certeza seriam as maiores testemunhas desse simples relato que aqui estou fazendo. Muitas pessoas tiveram seus rostos banhados pela lágrima da gratidão.

DESCANSE EM PAZ, AMIGO

Hoje você descansa, amigo Zé! E esse meu simples relato não é para dizer que você foi perfeito, pois sabemos que perfeito só Deus. Mas sim, para dizer que você ajudou muita gente, fez muito bem a quem, algum dia, precisou da sua ajuda para matar a fome. E eu, como ex-integrante do Programa Tribuna do Povo – O Canhão do Brejo – vi de perto tudo isso. Eu vivi, juntamente com você, grande parte desses momentos que marcam a vida de quem tem coração. E, de certa forma, eu agradeço por esses momentos que juntos passamos. Aprendi muito contigo e, na comunicação, digamos que foi um dos momentos mais importantes da minha carreira.

Por Adriano Santos