Como fãs brasileiros se ‘disfarçam’ para fazer Anitta parecer mais famosa fora do Brasil

Anitta

“Paradinha” foi a maior tacada de Anitta em direção à fama internacional. Gravado em Nova York, o clipe da música em espanhol soma mais de 75 milhões de visualizações e chegou a ficar entre os vídeos em alta do YouTube nos Estados Unidos. O que nem todo o mundo sabe é que alguns dos “fãs” conquistados pelo hit fora do Brasil são, na verdade, brasileiros.

No país que domina a internet, um grupo elaborou uma estratégia meticulosa, que inclui uma espécie de disfarce virtual, para ajudar a mostrar ao mundo o quadradinho da cantora – e fazê-la parecer mais famosa no exterior. A tática é dividida em quatro eixos:

  • YouTube: Fãs brasileiros usam uma rede VPN – ferramenta de acesso remoto, que simula para um computador uma localização geográfica diferente da real – para acessar o clipe de “Paradinha” como se estivessem no exterior. Com o aumento da audiência, a cantora pode ganhar mais destaque no site fora do Brasil
  • Spotify: Usando a mesma técnica para conseguir um IP (espécie de número de identidade de um computador) dos EUA, eles ouvem no repeat a música . As reproduções na plataforma de streaming contam para a parada da revista americana “Billboard”
  • Rádios: Por meio de redes sociais, WhatsApp e telefone, eles pedem “Paradinha” em rádios da América Latina, EUA, Europa e Brasil. O site Central Anitta tem tuites prontos, com a @ das rádios e o nome da música. Basta clicar em “enviar”
  • Redes sociais: Para chamar a atenção dos gringos, os fãs lotam as redes sociais com frases e hashtags sobre a cantora em inglês e espanhol

“Ensinamos em tutoriais a mudar e camuflar o IP para que cada visualização e play na música seja contabilizado com o IP dos EUA”.

A explicação acima é do estudante de administração Lucas Porto, 20, fundador do Central Anitta, um dos maiores agregadores de conteúdo sobre a brasileira na internet. Uma página dentro do site informa, passo a passo, o que é preciso para conseguir o IP falso com uma ferramenta de extensão do navegador.

Fantasiados de americanos, os fãs acessam sem parar a música no YouTube e Spotify para, assim, tentar emplacar Anitta no ranking da “Billboard” – a tabela musical padrão dos EUA considera, além de dados de vendas e rádios, atividades de streaming fornecidas por serviços de música on-line.

“Quanto mais a música conseguir destaque nessas plataformas, mais as pessoas terão facilidade para conhecer o trabalho da Anitta”, justifica Lucas. Segundo a advogada especialista em direito digital Gisele Truzzi, em teoria e numa interpretação extrema, a prática poderia ser enquadrada no crime de estelionato, mas muito provavelmente seria considerada insignificante pela Justiça.

“Esses fãs estão obtendo para a Anitta uma vantagem, induzindo outras pessoas ao erro. É uma situação bem semelhante ao que acontece com a compra de seguidores ou likes nas redes sociais. Quem faz esse tipo de operação pode, em tese, estar cometendo o crime de estelionato.”

A especialista explica que, nesse caso, não há o objetivo de prejudicar alguém e, por isso, a irregularidade poderia ser reduzida ou desqualificada.

Vocês pensaram que eu não ia tietar hoje?

“É uma estratégia muito eficaz, inteligente”, elogia a estudante Juliana Rocha, 17, fã de Anitta desde 2014, quando as músicas da cantora a ajudaram “em um momento delicado”. Além de mudar o IP, ela pede “Paradinha” em rádios internacionais – principalmente latinas – por meio das redes sociais e WhatsApp e usa hashtags para chamar a atenção do público gringo.

 ManchetePB com G1

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