Concentração de renda cresce e brasileiros mais ricos superam 74 mil

Antes de o Brasil entrar em recessão, houve um ligeiro aumento da concetração de renda e riqueza no topo da pirâmide social brasileira, apontam dados da Receita Federal. O número de contribuintes com renda mensal superior a 160 salários mínimos subiu de 71.440 em 2013 para 74.611 em 2014.

Trata-se da primeira alta em 3 anos e o maior número desde 2011, quando o topo da pirâmide reuniu 80.930 brasileiros.

O salário mínimo nacional em 2016 é de R$ 880 e em 2014 era de R$ 724. A renda mensal da população no topo da pirâmide supera o equivalente a R$ 140 mil.

Os números referem-se às declarações de imposto de renda de pessoas físicas entregues em 2015 (ano-calendário 2014), recentemente divulgados pela Receita Federal.

Pela primeira vez, o Fisco divulgou também a quantidade de contribuintes distribuídos no “topo do topo” da pirâmide. Em 2014, eram 13.552 com renda mensal entre 240 e 320 salários mínimos (acima de R$ 211 mil) e 28.433 com rendimentos de acima de 320 salários mínimos por mês (acima de R$ 281 mil).

A declaração de Imposto de Renda em 2015 foi obrigatória para pessoas físicas residentes no Brasil que receberam rendimentos tributáveis superiores a 26.816,55 em 2014 (cerca de R$ 2.235 ao mês).

Pessoas com renda inferior a esse montante não são obrigadas a declarar, mas há exceções, como casos de donos de imóveis.

Concentração de renda e riqueza
Esta elite de 74.611 brasileiros corresponde a menos de 0,3% dos mais de 27,5 milhões de declarantes do IR 2014 e concentrou, em 2014, 15% da renda total e 22,7% da riqueza em bens e direitos declaradas à Receita, totalizando rendimentos de R$ 360,9 bilhões e patrimônio de R$ 1,47 trilhão.

Os dados apontam para uma ligeira alta da concentração de riqueza no topo da pirâmide, na comparação com o ano anterior. Em 2013, o topo da pirâmide concentrava 14% da renda total e 21,7% da riqueza.

“É possível inferir que o Brasil segue sendo um país com uma profunda concentração da renda e da riqueza – ainda que se deva atentar que pobres e trabalhadores de menor renda estão dispensados de entregar a declaração de imposto de renda aqui analisada”, resume o economista José Roberto Afonso, pesquisador do IBRE/FGV.

As tabelas da Receita mostram o número de declarantes distribuídos por 17 faixas de renda, além de informações como valores totais de rendimentos (isentos e tributáveis) recebidos e a soma do patrimônio declarado em cada uma das camadas da pirâmide social. Veja tabela abaixo

                        DECLARAÇÕES DE IR POR FAIXA DE RENDA – ANO CALENDÁRIO 2014
Faixa de rendimento Nº de declarantes Rendimentos totais
(em R$ milhões)
Bens e direitos
(em R$ milhões)
Até 1/2 salário mínimo 1.173.389 (4,25%) 317 (0,01%) 129.908 (2,01%)
1/2 a 1 salário mínimo 501.551 (1,81%) 3.965 (0,16%) 29.093 (0,45%)
1 a 2 salários mínimos 1.067.416 (3,87%) 14.088 (0,58%) 73.169 (1,13%)
2 a 3 salários mínimos 2.744.805 (9,95%) 61.959 (2,58%) 185.521 (2,87%)
3 a 5 salários mínimos 8.192.562 (29,70%) 274.425 (11,43%) 545.992 (8,45%)
5 a 7 salários mínimos 4.396.494 (15,94%) 225.547 (9,39%) 412.821 (6,39%)
7 a 10 salários mínimos 3.403.789 (12,34%) 245.902 (10,24%) 456.990 (7,07%)
10 a 15 salários mínimos 2.563.655 (9,29%) 270.872 (11,28%) 553.460 (8,56%)
15 a 20 salários mínimos 1.187.329 (4,30%) 177.654 (7,40%) 407.384 (6,30%)
20 a 30 salários mínimos 108.7582 (3,94%) 229131 (9,55%) 571.284 (8,84%)
30 a 40 salários mínimos 501.726 (1,82%) 149.825 (6,24%) 398.958 (6,17%)
40 a 60 salários mínimos 400.429 (1,45%) 167.142 (6,96%) 484.231 (7,49%)
60 a 80 salários mínimos 143.650 (0,52%) 85.564 (3,56%) 271.661 (4,20%)
80 a 160 salários mínimos 142.095 (0,52%) 132.829 (5,53%) 470.263 (7,27%)
160 a 240 salários mínimos 32.626 (0,12%) 54.855 (2,28%) 217.148 (3,36%)
240 a 320 salários mínimos 13.552 (0,05%) 32.408 (1,35%) 149.247 (2,31%)
Mais de 320 28.433 (0,10%) 273.650 (11,40%) 1.104.751 (17,09%)
> 160 salários mínimos 74.611 (0,27%) 360.913 (15,03%) 1.471.145 (22,77%)
Total 27.581.083 (100%) 2.400.134  (100%) 6.461.879 (100%)
Fonte: Receita Federal

 

Do G1

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FOI MANCHETE