Rafael San Filho – Colunista Espotivo
Daqui algumas décadas, quando sentar com meus filhos na mesa para balbuciar qualquer lorota sobre futebol, sem me preocupar com senso crítico ou bom jornalismo, apenas exagerar o quanto foi incrível tal drible ou lance, direi a eles o que aconteceu com o Benfica pelos Playoffs da Liga dos Campeões quando decidiram enfrentar o Real Madrid de Vinícius Jr; farei com que eles fiquem estarrecidos ao me ouvirem falar que um brasileiro e negro foi jogador referência na maior competição de futebol do planeta.
além do baile, mundo afora esteve pedindo a cabeça do jogador que saiu das categorias de base do Flamengo, a fim de puní-lo por simplesmente dançar. Sem sucesso, houveram de insultá-lo e apelar, de forma infeliz, ao racismo. O racismo nada mais é do que a súmula da inconformidade branca em aceitar que um negro pode ser superior. No futebol, banalizam seu objetivo pra tornar incoerente qualquer hipótese de punição. Usam da boa essência dos gramados para deixarem exposto algo que guardam em si mesmos: o preconceito!
O futebol, sim, devia ser apenas baile. O sonho é ideal e é de graça, mas o mundo é tão infeliz que quer fantasiar até mesmo o futebol para preceitos preconceituosos. O princípio do racismo no esporte se dá pela tamanha falta de qualidade de alguns brancos e a notável qualidade de um preto; resumindo, deixando de lado as palavras ricas e, pra alguns sem efeito: os negros, no esporte, sempre foram melhores do que os brancos.
A revolta por não conseguir ser melhor até nisso encadeia o senso e desencadeia a pobre ignorância. Por isso que, quando algum clube brasileiro disputa algum campeonato continental e vai à Argentina, por exemplo, é recebido às bananadas e sons de macaco. Por isso que quando vem à campo algum jogador negro na Espanha, as arquibancadas rivais aumentam os sons de vaias. Vini Jr não foi o primeiro, muito menos o último. Mas ele foi, sem a menor sombra de dúvidas, o atleta que mais combateu o racismo na histótia do futebol. O jogador que parou o jogo pra que respeitassem o tom de pele preta.
Se surpreendem com a peristência do melhor jogador do maior clube do mundo-o herdeiro da camisa 7 mais pesada deste esporte-em tanto combater este crime. Reclamam com sua insistência em denunciar “supostos casos isolados” ao invés de simplesmente esquecer que ainda estão atrás de julgá-lo por ter mais melanina na pele e retomar seu pentear à bola para lá e para cá. Querem exigir dele e de toda uma raça, quando nunca se exigiram o mínimo senso a si mesmos.
Vini ao menos lhe exige o máximo baile! O brasileiro se tornou carrasco na Liga do Campeões. E, neste ano, carrasco do clube português Benfica. Não é o segundo brasileiro com mais gols na competição à toa! O que Cristiano Ronaldo foi para a Champions na sua era de ouro, com alguma sensatez, é o que Vini se torna hoje. Na sua pior fase pelo maior clube do mundo, ainda consegue levá-lo às oitavas. Não é normal o efeito Vinícius. Ultimamente tem sido o único jogador que baila pelos gramados. Não se encontra qualquer outro garotinho que saiu de comunidades, como São Gonçalo, que cheira à decisão como ele na Europa. A mistura de decisão com baile é um lindo carnaval brasileiro, combina mais do que tudo!
Sua relação com a maior competição de futebol do planeta nem tão cedo se finda. A idade, a maestria, a magia e a qualidade nunca o abandonarão! Seu baile, um dia, será mais marcante ainda. E poderei, em algumas décadas, sentar com meus filhos à mesa para balbuciar qualquer lorota sobre futebol e dizer, cheio de mim e convicto, o que aconteceu com o Benfica pelos Playoffs da Liga dos Campeões quando decidiram enfrentar o Real Madrid de Vinícius Jr.



