… As crianças do mundo inteiro são protegidas por um seleto grupo de guardiões: Papai Noel, Fada do Dente, Coelho da Páscoa e Sandman. … Mas um espírito maligno, o Breu, pretende transformar todos os sonhos em pesadelo, despertando medo em todas as crianças. Essa é síntese do filme “A origem dos Guaridões”, uma peça infantil linda e profunda onde um toque de medo bastou para escurecer todas as luzes da esperança. Só não se perdeu tudo porque restou um menino que guardou sua luz, sua fé, sua esperança, graças a sua coragem a luzinha se manteve acessa e o pânico foi derrotado. O Breu era uma sombra. Era o medo que ele representava que feria de morte os sonhadores.
É triste ver que o Breu apareceu em versão moderna. Não está mais escuro. Está cheio de esquemas de algoritmos cibernéticos invadindo as telinhas e consciências. Enfim, deu um Breu na humanidade! Por hora ele tem um nome: Covid-19. Sua origem é o Coronavírus, que deriva-se de “coroa”, ele tem esse formato. Sua ação faz jus ao resultado, está sendo “coroado” com a crise mundial mais apavorante. E já é possível perceber os súditos do novo “rei do mundo de Breu” se curvando. Basta um comando e todos seguem, num efeito de manada, de um grande rebanho que não ousa questionar; todos obedecem.
Breu contaminou até mesmo o Cristianismo. Quem diria? O rei da penumbra tocou o coração do seguimento que teve origem exatamente no campo da coragem, no universo da disposição, na contramão do mundo. Hoje se ver acomodado e sufocado. Aos poucos Breu vai retomando as práticas dos primeiros séculos e ordenando fechar Igrejas e encurralando os sucessores dos apóstolos, vai enclausurando os líderes do povo cristão, tirando suas forças de combate, sufocando o único movimento responsável por guardar justamente a fé, vencendo a cada dia quem pode instalar os “hospitais de almas”. Breu se ver fortalecido nos decretos e ordens dos palácios e na covardia dos representantes de Cristo que envergonham São Pedro. Nos primeiros séculos ele sem estrutura, sem academia, sem apoio social foi lá e encarrou as ondas de morte e levou vida para o povo. O pequeno grupo não enfrentava apenas um inimigo invisível, mas também faca no pescoço e espada na cabeça. Quer ameaça maior? A grande diferença é que Pedro não escutou o discurso de Breu, pelo contrário, tomou posse do único remédio para o medo: O Espírito Santo de Deus! Talvez seja essa pílula santa que nos falte hoje. Sem a coragem do Espírito de Deus nos tornamos patéticos repetidores de teses e ideologias. Acordem! Nosso maior inimigo não é a Covid-19, percebam o que está por traz dessa paralisia mundial. Não podemos apenas ler, assistir e aceitar o que correntes estão dizendo. Escutemos mais a Deus! O que Ele espera de nós! Não se trata de protagonismo suicida, mas de profetismo – e isso é matéria primordial do Cristianismo.
Contudo, devemos distinguir coragem de responsabilidade. Ser responsável é uma coisa (usar máscara, manter distâncias, favorecer a higiene, enfim) e ser medroso e acomodado é outra bem diferente. Breu conseguiu que muitos escolhessem o cômodo: se recolher em bons casulos e esperar passar para ver o que sobrou para si próprio. São em tempos difíceis que os pastores se arriscam por suas ovelhas. Ou lemos o Evangelho errado? Tá na hora dos guardiões da fé planejarem mínimas saídas que apontem esperança. O discurso “fiquem em casa”, no Brasil e nas comunidades carentes, está vencido. Coloquemos a cabeça fora e vejamos as periferias de nossas cidades. Não existe o badalado isolamento social. Abandonemos o discurso fácil. Com menos hipocrisia vamos perceber que a doença é comunitária e devemos conviver com ela com os devidos cuidados. Organizemos formas para evitar a destruição de paróquias, comunidades, igrejas evangélicas comprometidas – são basicamente os únicos núcleos de esperança que a sociedade tem. Devemos essa resposta ao povo e as nossas consciências. Uma pequena minoria decidiu não aceitar tudo como estar e vem buscando saídas para anemizar a situação.
O que fazer? Não há receita pronta, mas precisamos muito mais que transmitir missas e cultos e/ou lives solidárias. Precisamos sair da parte fácil do processo. Se o mês de maio ainda é de quarentena, aproveitemos para planejar junho e assim sucessivamente. Pensemos o que pode ser feito de assistência as famílias das vítimas. O que pode ser feito junto ao Poder Público para minorar os prejuízos. Acompanhemos a economia, que também é vida e, em muitas situações, aliada da evangelização. Um dos princípios elementares da fé é a compaixão. Só não podemos assistir em nossas poltronas esperando um desfecho. Isso pode ser tudo, menos Cristianismo.
Lembremos: também seremos cobrados por atos, palavras e “omissões”. Escutemos de novo a voz de Jesus a nos dizer: “homens de pouca fé”. Ouçamos mais o Espírito Santo e peçamos que Ele nos inspire ações diante da tempestade. Agora e já!
Sabemos que existem áreas mais graves – essas exigem maior atenção – e outras com baixíssima gravidade que igualmente carecem de iniciativas de animação da fé. Vamos agir, pois numa guerra e numa crise a primeira vítima é verdade, sendo que para os cristãos a verdade é uma pessoa: Jesus Cristo.
… Os discípulos estavam trancados com medo até descer sobre eles o Espírito Santo. Clamemos um novo Pentecostes!
Jesus nos encoraje! Mais Espírito Santo, menos espírito de Breu!
Rafael San – ManhetePB