
A apresentação de jogadores a conta-gotas e vindos de diferentes países não permite prever quando o técnico Dunga dará pistas do time que considera ideal para enfrentar o Uruguai, na sexta-feira, em Recife. No entanto, o elenco que terá à disposição a partir de hoje, quando espera-se que todos os jogadores já estejam na Granja Comary, pode ser considerado o de características mais ofensivas desde a volta do treinador à seleção.
Dos 12 jogadores convocados do meio-campo para a frente, apenas dois têm características mais marcantes de combatividade do que de criação: Luiz Gustavo e Fernandinho. Daí em diante, Dunga tem cinco meias. Alguns com traços claros de armação, como Oscar, Lucas Lima e Philippe Coutinho, outros com mais dinâmica e condução de bola, como Willian e Renato Augusto.
A atual seleção de Dunga aponta para uma busca por povoar o meio-campo com jogadores mais técnicos, mas que sejam, também, multifuncionais: defendam e ataquem. No ataque, a realidade se repete, já que Neymar, Hulk e Douglas Costa podem ser usados em diferentes posições. Jonas, embora se movimente mais, e Ricardo Oliveira atuam mais pelo centro do ataque.
Renato Augusto, hoje no Beijing Guoan, da China, converteu-se num símbolo desta nova orientação da seleção com Dunga. Quando a lista de convocados foi anunciada, seu nome foi incluído na relação de volantes, embora seja um meia.
— Ele faz as duas funções. No Corinthians, por vezes, ficava mais atrás para o Elias avançar — disse Dunga, à época.
Nesta segunda, em Teresópolis, o discurso foi repetido pelo próprio jogador.
— São duas funções que faço com naturalidade. Nas últimas convocações, eu já vinha como volante e, no time reserva, treinava assim — disse Renato Augusto. — Para mim, não muda nada.
Não mudar nada é o que, no fundo, a comissão técnica da seleção espera. Ou seja, que os homens de meio-campo sejam capazes de se aproximar do ataque e defender sem a bola. Se for mantido o desenho tático que enfrentou o Peru, há quatro meses, na última partida da seleção, Luiz Gustavo seria o único volante de origem, com responsabilidade de proteger a defesa. Naquele jogo, Renato Augusto e Elias foram os meias à sua frente. Desta vez, Elias está machucado. Talvez pela ausência do corintiano, Dunga tenha montado a sua seleção mais leve. Uma tendência que já se manifestava nos últimos amistosos, quando Luiz Gustavo, Fernandinho e Elias eram os únicos volantes de origem convocados.
Só nove treinam em campo
Os confrontos da seleção brasileira com Dunga diante do Uruguai também fizeram, na primeira passagem pelo cargo, o técnico optar por times mais seguros. Dunga assumiu o comando em 2006. No ano seguinte, enfrentou os uruguaios pela semifinal da Copa América, na Venezuela. Tinha uma seleção desfalcada. Por uma ou outra razão, levou a campo Gilberto Silva, Mineiro, Josué e Júlio Baptista no meio-campo. O jogo acabou 2 a 2 e o Brasil venceu nos pênaltis.
No mesmo ano, pelas eliminatórias, começou o jogo, no Morumbi, com Gilberto Silva e Mineiro formando dupla de volantes “especialistas”. No segundo tempo, Josué entrou no lugar de Ronaldinho Gaúcho. A seleção venceu por 2 a 1. Em 2008, no returno das eliminatórias, a partida no Uruguai teve Gilberto Silva e Felipe Melo como titulares. No decorrer da goleada por 4 a 0 entraram Josué, Ramires e Júlio Baptista.
Para ter um time coordenado, que se movimente e alterne funções ofensivas e defensivas, o obstáculo de Dunga será treinar. Após quatro meses sem se encontrar, a seleção chega aos poucos a Teresópolis. Nesta segunda, Dunga tinha nove jogadores em campo, além de três na academia. Neymar chegou à noite. Philippe Coutinho, Hulk, Alex Sandro, Jonas, Marquinhos e David Luiz só chegam nesta terça pela manhã.
Do o Globo


