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Enem traz violência contra mulher na redação

Inep divulgou o tema da redação do Enem 2015 pelo Twitter: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira” (Foto: Reprodução/Twitter)
Inep divulgou o tema da redação do Enem 2015 pelo Twitter: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira” (Foto: Reprodução/Twitter)
MEC divulgou o tema da redação do Enem 2015 no Facebook (Foto: Reprodução/Facebook)
MEC divulgou o tema da redação do Enem 2015 no Facebook (Foto: Reprodução/Facebook)

Mantendo seu histórico de temas sociais, a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2015 cobrou de milhões de candidatos que refletissem neste domingo sobre “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Mais do que isso: pediu que, além de uma análise sobre o problema, os estudantes contribuíssem com uma proposta de intervenção, pensando em uma possível solução.

A proposta, ainda que não cause surpresa em um exame marcado pela questão social em diversas esferas, foi bem recebida por professores e entidades ligadas à luta pela igualdade de gênero. No primeiro dia de provas, outra pergunta relacionada foi cobrada dos estudantes em uma questão de Ciências Humanas: o feminismo, apresentado na forma de uma citação da filósofa e escritora francesa Simone de Beauvoir.

Esse assunto vem ao encontro das questões ligadas à cidadania que o Enem sempre traz. Estava mesmo faltando falar da mulher: em um momento em que se trata tanto da igualdade de gênero, é importante o candidato pensar em uma das maiores manifestações da desigualdade, que é justamente a violência — avalia a professora de Linguagens do Universitário Maria Tereza Faria.

Como o Enem exige uma proposta de intervenção entre as competências da redação, os candidatos também foram instigados a pensar em uma solução para o problema. Para Jane Felipe, isso passa, em primeiro lugar, pela família, que deve ser exemplo de respeito aos direitos humanos. A escola, segundo ela, também tem participação: é o espaço em que se deve lutar, desde a infância, contra o preconceito e a desigualdade.

O tema, porém, não foi bem recebido por todos. Nas redes sociais, algumas pessoas contestaram o assunto proposto na prova, sugerindo que o Enem trazia um viés feminista. A hashtag #enemfeminista ganhou coro no Twitter ao longo da tarde, mas manifestações como #machistasnãopassarão também repercutiram.

Também pelas redes sociais, os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Marco Feliciano (PSC-SP) contestaram a “doutrinação imposta” pela prova. Para Bolsonaro, “o sonho petista em querer nos transformar em idiotas materializa-se em várias questões” do Enem. Segundo Feliciano, “esse texto se encaixa como luva na teoria de gênero, apesar de questionável por se tratar da opinião de uma mulher polêmica (Simone de Beauvoir)”.

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