O estudo com o remdesivir antiviral foi realizado com 1.063 pacientes, de 47 locais nos Estados Unidos e outros 21 na Europa e Ásia

Um novo estudo clínico mostra que o remdesivir antiviral tem um efeito “claro” no tratamento de casos graves de COVID-19, informou Anthony Fauci, epidemiologista e consultor do presidente Donald Trump, nesta quarta-feira.

“Os dados mostram que o remdesivir tem um efeito claro, significativo e positivo na redução do tempo de recuperação” de pacientes com coronavírus, disse Fauci na Casa Branca. Isso prova “que um medicamento pode bloquear esse vírus”, acrescentou.

O remdesivir acelera o tempo de recuperação em 31% para pacientes com o novo coronavírus, de acordo com resultados preliminares do estudo clínico patrocinado pelo Instituto de Saúde dos Estados Unidos (NIH) divulgado nesta quarta-feira.

Comparados aos pacientes que receberam um placebo, os pacientes tratados com remdesivir, do laboratório de Gilead, se curaram em 11 dias (tempo médio) em vez de 15 dias, de acordo com um comunicado de imprensa do NIH.

É a primeira vez que se mostra que um medicamento funciona contra a COVID-19, que já matou mais de 200.000 vidas em todo o mundo e paralisa a economia global.

O estudo compreendeu 1.063 pacientes, de 47 locais nos Estados Unidos e outros 21 na Europa e Ásia. Trata-se do maior teste até o momento sobre a utilidade do remdesivir com os resultados disponíveis.

Em relação aos efeitos sobre a mortalidade, os resultados não são significativos, ou seja, a pequena diferença entre os dois grupos avaliados pode ser aleatória. No entanto, o grupo tratado com remdesivir sofreu uma mortalidade de 8%, contra 11% no grupo placebo, sugerindo que o medicamento aumentaria a chance de sobrevivência.

Notícias diferentes e contraditórias sobre esse antiviral intravenoso foram divulgadas nas últimas semanas.

Um resumo dos resultados publicados no site da Organização Mundial da Saúde (OMS) na semana passada mostrou que não houve resultados positivos em um estudo menor realizado na China.

A revista médica britânica The Lancet publicou nesta quarta-feira o documento formal que descreve esse teste.

No estudo de 237 pacientes em Wuhan, China, os médicos não encontraram efeitos positivos após a administração do medicamento em comparação com um grupo controle de adultos, exceto os pacientes que necessitaram de ventiladores.

No entanto, o teste chinês teve que ser interrompido cedo, pois não foi possível recrutar pessoas suficientes para atingir seu objetivo inicial e, devido ao seu pequeno tamanho, muitos especialistas consideraram que esse estudo não permitia tirar conclusões confiáveis.

Fauci, assessor da Casa Branca, disse que não era um estudo adequado.