Avião militar dos EUA decola do Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, nesta segunda-feira (30), pouco antes do fim do prazo de retirada das tropas do país. — Foto: AP Photo/Wali Sabawoon

As tropas americanas deixaram o Afeganistão na segunda-feira (30), segundo o governo dos Estados Unidos, que corria contra o tempo para concluir a retirada de diplomatas, militares, aliados e colaboradores até a data limite de 31 de agosto.

Com a partida dos últimos voos do aeroporto internacional de Cabul, tem fim a mais longa ocupação da história americana.

O presidente americano, Joe Biden, disse em um comunicado que a missão de retirada encerrou duas décadas de presença militar dos EUA no Afeganistão e fez uma homenagem aos 13 soldados mortos em um atentado terrorista no aeroporto de Cabul na semana passada (leia mais adiante).

“[A missão foi concluída] nas primeiras horas de 31 de agosto, horário de Cabul, e mais nenhum americano irá perder sua vida”, disse o presidente.

Biden na Casa Branca após ataques em Cabul nesta quinta-feira (26). — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

Ele disse ainda que irá fazer um pronunciamento na tarde de terça-feira (31) para explicar a decisão de não estender a retirada das tropas para além do prazo estabelecido e afirmou que a comunidade internacional espera que o Talibã cumpra com o compromisso de permitir a saída daqueles que queiram deixar o país.

O chefe do Comando Central dos EUA, órgão responsável pelas operações militares na região, general Frank McKenzie, disse em entrevista coletiva que o embaixador americano em Cabul embarcou, na segunda, no último voo a deixar o aeroporto internacional da capital afegã.

“O último ocupante americano se retirou do aeroporto de Cabul às 12h e o nosso país ganhou a sua total independência”, escreveu o porta-voz no Twitter.

O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, disse em pronunciamento esperar que mais países se ofereçam para receber de forma permanente afegãos que deixaram o país. “Essa operação foi um empreendimento global em todos os sentidos”, ressaltou.

Segundo ele, “um novo capítulo do envolvimento dos EUA com o Afeganistão começou. Um em que vamos liderar com diplomacia”.

O secretário informou que as atividades diplomáticas no país foram encerradas após a retirada desta segunda-feira, e transferidas para Doha, no Catar. Mas assegurou que, caso os americanos que permaneceram no Afeganistão mudem de ideia de decidam sair, ainda assim terão ajuda.

“A proteção dos americanos no exterior continua sendo a missão mais vital e duradoura do departamento”, afirmou Blinken.

O Talibã, que voltou ao poder em 15 de agosto, tomou o controle do aeroporto, que estava sob comando dos EUA desde a queda do governo afegão para os extremistas. Em uma rede social, um porta-voz do grupo anunciou o fim da ocupação e celebrou o que chamou de “independência”.

Segundo o Pentágono, mais de 120 mil americanos foram retirados do Afeganistão nas últimas duas semanas. Cerca de 500 cidadãos teriam optado por se manter no país. Blinken estima que seriam menos, de 150 a 200, mas diz que é difícil precisar o número, por haver muitas pessoas com dupla cidadania.

Nova tentativa de ataque
Mais cedo, o sistema de defesa antimísseis dos EUA interceptou cinco foguetes lançados contra o aeroporto de Cabul. O ataque não interrompeu os últimos voos de retirada (veja no vídeo acima).

Foguetes também atingiram apartamentos residenciais em um bairro próximo, segundo a agência de notícias Associated Press. Eles caíram em Salim Karwan, bairro a cerca de 3 km do aeroporto, disseram testemunhas à agência.

O Estado Islâmico assumiu responsabilidade pelos ataques, segundo a agência Reuters. “Pela graça do Deus Todo-Poderoso, os soldados do Califado atacaram o aeroporto internacional de Cabul com seis foguetes Katyusha”, disse o grupo em uma rede social.

No bairro de Chahr-e-Shaheed, um carro destruído que parece ter sido usado no ataque tinha tubos de lançamento com foguetes caseiros montados no lugar do banco de traseiro (veja nas imagens abaixo).

O Estado Islâmico e outros grupos terroristas costumam montar esses tubos em veículos e transportá-los, sem serem detectados, até perto do alvo.

O presidente americano, Joe Biden, foi avisado sobre a tentativa de ataque, e a Casa Branca disse em um comunicado que ele “reafirmou sua ordem para que os comandantes redobrem seus esforços para priorizar o que precisa ser feito para proteger as forças no solo”.

Ataque aéreo com drone
No domingo (29), os EUA fizeram um ataque aéreo com drone contra integrantes do Estado Islâmico-Khorasan, braço afegão do grupo terrorista e atingiram um carro que levava um homem-bomba ao aeroporto (veja no vídeo abaixo).

Uma fonte do governo americano disse que o drone era pilotado por agentes que não estavam no Afeganistão e que explosões secundárias após o ataque provam que o homem-bomba levava uma grande quantidade de material explosivo.

Um porta-voz do comando central dos EUA, o capitão Bill Urban, afirmou que os militares americanos estão tentando descobrir se o ataque matou algum civil e que, por enquanto, não há evidência disso.

Inimigo do Estado Islâmico no Afeganistão, o Talibã confirmou que o ataque dos EUA atingiu um homem-bomba que estava em um carro e que ele pretendia fazer um atentado no aeroporto de Cabul.

Mais de 180 mortos em atentado
Mais de 180 pessoas morreram em um atentado terrorista no aeroporto de Cabul na quinta-feira (26), em um ataque que foi reivindicado pelo braço afegão do Estado Islâmico.

A primeira resposta dos EUA veio no sábado (28): dois integrantes do Estado Islâmico-Khorasan foram mortos e um ficou ferido em um ataque com drone. Militares americanos dizem que os três estavam envolvidos no planejamento e execução do atentado suicida no aeroporto.

No mesmo dia, Biden alertou que um novo ataque ao aeroporto seria “muito provável” nas “próximas 24 a 36 horas” (o que acabou não ocorrendo) e que o bombardeio “não seria o último” (promessa cumprida com o ataque de domingo).

“A situação no local continua extremamente perigosa e a ameaça de um ataque terrorista no aeroporto continua alta”, escreveu o presidente, em um comunicado, após se reunir com seus conselheiros militares e de segurança.

Do ManchetePB
com G1