
O ex-prefeito Marcos Diogo concedeu sua primeira entrevista nesta sexta-feira (31), após deixar a prefeitura de Guarabira, no Jornal Correio da Manhã, da Rádio Guarabira FM. O ex-prefeito apresentou um balanço de seu período à frente do executivo, detalhando as conquistas e os desafios enfrentados, especialmente após assumir em um momento de transição e governar durante a pandemia de COVID-19.
Os rumores de um suposto “rombo” de R$ 5 milhões no Instituto de Previdência Municipal (IAPM) também estiveram na pauta da entrevista. O ex-gestor confirmou que suas contas de 2023, e as da Secretaria de Saúde, foram aprovadas por unanimidade pelo Tribunal de Contas do Estado-TCE. Diogo esclareceu que os questionamentos fiscais se devem a uma alta alíquota de contribuição (44%), imposta por dívidas previdenciárias de gestões anteriores, e não por má-gestão própria. Pelo contrário, o ex-prefeito afirmou ter dobrado o patrimônio do IAPM, elevando-o de R$ 70 milhões para R$ 140 milhões durante seus quatro anos de gestão, mesmo com um ano de pandemia.
Posicionamento político
Justificando seu retorno ao cenário político, o anúncios de apoios políticos, Diogo explicou por que decidiu não se candidatar a deputado neste ciclo, preferindo apoiar a chapa e focar no trabalho político de bastidores: Poderia muito bem me candidatar a deputado. É muita gente até apostou nessa possibilidade, né? Marcus candidato. Mas não é a hora, não é o momento.”
Marcus disse ainda que Guarabira passou muito tempo servindo trampolim político: “A política é a única ferramenta… capaz de mudar e moldar uma sociedade. Politicagem é outra coisa. A politicagem acaba a sociedade, a política eleva a sociedade.”
Chapa fechada para 2026 e união das oposições
Sobre o cenário político, Marcos Diogo anunciou apoio a Lucas Ribeiro para governador e aos deputados Michel (Estadual) e Aguinaldo Ribeiro (Federal), defendendo a união da oposição para as próximas eleições majoritárias.
Alertando a oposição sobre a necessidade de união em torno de um único nome (Lucas Ribeiro) para evitar a derrota eleitoral nas próximas eleições: “Ou todo mundo se une, ou vai acontecer o que aconteceu já em outras eleições… Eu vou inclusive agora, eu não vou capitanear, mas vou me colocar à disposição para dizer: ‘Olha, pessoal, tem que unir todo mundo em volta de uma pessoa só.'”
“Vamos trabalhar João Azevedo (senador), vamos trabalhar Lucas Ribeiro (governador), vamos trabalhar Michel Henrique (estadual), vamos trabalhar Aguinaldo Ribeiro (federal)… Não adianta não, viu? Se isso tudo acontecer (eleger deputados) e não eleger o governador, não fez nada.”
Pedidos “não republicanos”
Rebatendo a acusação de ter feito pedidos “não republicanos” (privados) à gestão, Marcus desafiou os acusadores a provarem: “Eu autorizo… Eu desafio qualquer uma pessoa dessas se tiver coragem a dizer um só pedido que Marcos Diogo fez, pedido não republicano… Eu digo 10 não republicanos que eu recebi…”
Citando o alto custo do pagamento de uma desapropriação de terreno de gestões passadas como exemplo de má administração que onera o município, citou: “Sabe o que é não republicano para a cidade de Guarabira? É comprar um terreno, pagar um terreno lá no Alto da Boa Vista… Que Zenóbio Toscano desapropriou, não pagou e agora a cidade de Guarabira, os guarabirenses estão pagando R$ 6.500.000… R$ 150.000 por mês… Isso é ser não republicano.”
Diogo usou um tom de aviso para seus aos seus adversários, enquanto lamenta ter que citar Zenóbio Toscano após seu falecimento para se defender: “Gostaria que ele (Zenóbio) tivesse vivo aqui para se defender ou refutar o que eu tô dizendo. Não brinquem com Marcos Diogo… Cuidado com o que vocês falam, com o que vocês fazem aí, né? Persigam os pequenos como vocês estão perseguindo agora, cuidado com o Marcos Diogo.”
Legado e lealdade: “Eu acompanhei Zenóbio desde o primeiro comício que ele fez em Guarabira, até o último momento dele aqui na terra.”
Em um dos momentos de maior tensão da entrevista, Marcos Diogo utilizou a memória do falecido ex-prefeito Zenóbio Toscano para reforçar sua posição e alertar os adversários. Diogo declarou: “Sabe porque eu sei das coisas? Porque Zenóbio confiava em mim. Sabe porque vocês não sabem? Porque ele não confiava em vocês. Eu tinha a senha do cofre Toscano lá da casa dele porque ele me deu a senha do cofre dele, tá bom?” A fala, carregada de significado político, foi uma demonstração de que Diogo não apenas tinha a confiança pessoal de Toscano, mas também acesso a informações sensíveis, servindo como um aviso direto a quem tentasse desqualificar sua trajetória ou desafiá-lo no cenário local.
Detalhando sua postura de lealdade e ética ao assumir a prefeitura interinamente enquanto Zenóbio Toscano estava doente, evitando desmanchar ou intervir na gestão: “De uma forma muito leal, que foi assim que eu aprendi a ser leal, fiel, sabe, honrar as amizades, eu não tomei nenhuma iniciativa, não mexi em ninguém, não fiz nada, porque Zenóbio tava vivo.”
Rompimento político: “falta de reconhecimento”
Um dos pontos mais polêmicos e repercutidos da entrevista foi o anúncio da ruptura com a família Toscano, historicamente uma força política em Guarabira. Marcus Diogo, que assumiu a prefeitura após o falecimento do então prefeito Zenóbio Toscano em 2020 e foi reeleito com o apoio do grupo, alegou como principal motivo a “falta de reconhecimento da gestão” por parte de seus antigos aliados.
O rompimento, veiculado às vésperas do encerramento de seu mandato, não apenas encerra uma aliança política, mas também sinaliza um realinhamento do tabuleiro eleitoral em Guarabira, com possíveis impactos na formação de alianças e candidaturas para a próxima eleição municipal.
Reveja e entrevista na integra
Da Redação
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