Desde novembro de 2015, quando o Ministério da Saúde declarou situação de emergência em saúde pública no país por conta do aumento repentino do número de bebês nascidos com uma má-formação congênita no cérebro, o termo microcefalia entrou no cotidiano de noticiários e conversas.
A microcefalia, condição em que a criança nasce com um crânio menor do que a média, é considerada apenas a “ponta do iceberg” de complicações associadas ao vírus da zika.
Médicos e pesquisadores começam a falar em uma síndrome congênita da zika, que inclui outros dados relatados, como calcificações no tecido cerebral, hidrocefalia, problemas nos olhos, nos ouvidos e nas articulações e até membros com má-formação.
“Em uma grávida que teve sintomas de zika com 18 semanas, o bebê tinha catarata em um dos olhos, um olho menor que o outro, além de cérebro e cerebelo quase inexistentes”, apontou a médica Adriana Melo, da Paraíba, um dos Estados com maior número de crianças afetadas.
Casos de bebês com sobreposição de dedos, braços e pernas curvadas e até com um braço maior que o outro foram apresentados durante um seminário sobre zika no Recife, que reuniu profissionais de vários Estados para compartilharem experiências.
Nos casos relatados de maior gravidade, as crianças não sobreviveram. Essas são algumas das 139 mortes durante a gestação ou após o parto investigados pelo Ministério da Saúde até o início de março.
Padrão de completa destruição
As incertezas ao redor de um vírus pouco conhecido causam burburinho. No entanto, os médicos e cientistas que têm acompanhado as crianças e os exames são unânimes ao apontar a severidade das lesões relacionadas ao vírus da zika.
“Quando você olha o exame, é muito diferente. Os casos são muito mais graves. O cérebro não tem sulcos, às vezes é quase liso”, indica Adriana Melo, que atende a casos em Campina Grande (PB).
As lesões aparecem não só em crianças com perímetro cefálico menor do que a média, mas também em bebês com cabeça de tamanho considerado normal. Em todos os casos, as alterações são percebidas por exames de imagem, como o ultrassom ou a tomografia.


