Partida entre Picuiense e Desportiva Guarabira entra na mira do Ministério Público da Paraíba

Picuiense x Desportiva Guarabira, Campeonato Paraibano da 2ª Divisão, em 2023. Foto: @wdeyvison_arruda

O Ministério Público da Paraíba instaurou um procedimento administrativo para acompanhar a abertura de inquérito policial que investigue a possível manipulação de resultado na partida entre AD Picuiense e Guarabira, disputada em 22 de agosto de 2024, válida pelo Campeonato Paraibano Série B. A medida foi adotada após recebimento de relatório oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apontando suspeitas de fraude no confronto.

A CBF informou ao MP que recebeu alertas das empresas Sportradar e StatsPerform, especializadas em monitoramento de apostas, sobre movimentações anormais nos mercados durante a partida. Segundo o relatório, houve queda drástica nas odds para vitória do Guarabira, ainda com o jogo empatado em 0 a 0, além de volume elevado de apostas in-play e suspensão do mercado por várias casas ainda no primeiro tempo. A análise classificou o jogo com “forte suspeita” de manipulação.

A apuração tem origem em uma Notícia de Fato, instaurada a partir de informações enviadas pela CBF, por meio de sua Unidade de Integridade do Futebol Brasileiro.

Segundo o relatório encaminhado pela CBF ao MP, empresas especializadas em monitoramento de apostas, como Sportradar e StatsPerform, identificaram anomalias nos mercados de apostas da partida, classificando-a com “forte suspeita” de manipulação.

A análise técnica apontou movimentações incomuns nas probabilidades de vitória da Desportiva Guarabira, que despencaram de 3.50 para 1.95 ainda no primeiro tempo, mesmo com o placar em 0 a 0, e a suspensão de apostas por diversas operadoras internacionais.

O jogo terminou 3 a 1 para a Desportiva Guarabira, com todos os gols marcados em um intervalo de 16 minutos do segundo tempo.

O caso foi encaminhado ao Gaeco devido à gravidade das suspeitas. O Gaeco, contudo, entendeu não haver, neste momento, indícios suficientes para caracterizar organização criminosa, remetendo o processo à Promotoria Criminal com atribuição geral.

O promotor Ricardo Alex Almeida Lins, responsável pelo caso, determinou o envio do procedimento ao delegado-geral da Polícia Civil da Paraíba, André Luís Rabelo, para que designe um nome que ficará encarregado das investigações.

O delegado nomeado deverá informar, em até 15 dias, a abertura do inquérito e registrá-lo no sistema do Tribunal de Justiça da Paraíba.

ManchetePB
com Maurílio Júnior

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