Marco Aurélio Mello, em sessão no Supremo Tribunal Federal no início de abril deste ano — Foto: Nelson Jr./SCO/STF
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, classificou como “imprópria” a fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub, sobre a prisão de ministros da Suprema Corte na reunião ministerial.

Em entrevista à TV Globo neste sábado (23), Marco Aurélio disse que não considera o caso passível de uma ação penal contra Weintraub, mas, que se fosse o presidente Jair Bolsonaro, demitiria o titular da Educação.

“Eu só posso atribuir a um arroubo de retórica, né? E cabia ao dirigente da reunião exercer o poder de polícia, evidentemente cortando a palavra dele e dizendo que a palavra em si era imprópria”, disse. “Se estivesse ocupando a cadeira de presidente da República, evidentemente não teria o estilo do presidente, eu pediria a ele pra pegar o boné e ir pra casa. Eu acho que, principalmente, como ministro da Educação, ele ficou numa situação muito ruim. Que educação é essa?”

Reunião ministerial
Na reunião ministerial de 22 de abril, que teve trechos divulgados nesta sexta (22), o ministro da Educação chamou os ministros do STF de “vagabundos” e disse que queria prendê-los. “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”, disse ele.

Sobre o trecho do vídeo, Celso de Mello determinou que todos os ministros da Corte sejam oficiados para que, caso queiram, adotem as medidas cabíveis. “Constatei, casualmente, a ocorrência de aparente prática criminosa, que teria sido cometida pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que, no curso da reunião ministerial realizada em 22/04/2020, no Palácio do Planalto, assim se pronunciou em relação aos Ministros do Supremo Tribunal Federal.”

Para o jurista Thiago Bottino, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Weintraub pode ser processado diretamente por cada um dos ministros do Supremo que se sentir ofendido e também pelo procurador-geral da República, caso este seja provocado.

“Quando ele diz que os ministros do STF são vagabundos, ele se dirige a um grupo específico de pessoas que eles sabem quem são, que todos nós sabemos quem são, de modo que ele afeta a honra dos ministros. Ou seja, a forma como a sociedade os vê e a forma como eles se vêem, e pratica em tese os crimes de difamação e injúria”, diz.

Do G1