Foto: repórter Sarah Teófilo

A foto ao lado é o retrato do Brasil atual. Um país dividido por um abismo de desigualdades. País onde homens e mulheres naturalizam a violência da miséria materializada.

Há ódio às minorias disfarçado de posicionamento político. Há polarização (extrema direita/extrema esquerda) com debates profundamente superficiais, desrespeitosos e despidos de todo tipo de preconceitos.

Em qualquer país civilizado a população estaria unida em coro pela paz, por justiça social, por mais emprego, mais direitos… Mas por aqui há extremismos que inviabilizam o diálogo entre os poderes e enfraquecem a democracia.

Há uma esquizofrênica luta contra o fantasma de um Comunismo que nunca existiu, no país onde os capitalistas já causam mais de 14 milhões de desempregados. Maior alta desde 2012, segundo IBGE.

Por aqui há histeria patriótica dos fás da ditadura, que flertam com regime de excessão, convencionando políticos a “MITOS”. Há idolatria deprimente a um estado autoritário que restrinja ainda mais direitos. Há aberração de uma ideologia pseudocristã que ignora os ensinamentos pacíficos de Cristo, venerando armas, discurso de ódio e a prisão daqueles que pensam diferente. Há uma baixaria intelectual que investe sua ira irracional em todo pensamento crítico, oposto, divergente.

Hoje celebramos a estupidez ideológica que devolveu nosso país ao mapa da fome. Choramos os mais de 580 mil mortos pelo negacionismo à letalidade de um vírus, chamado de gripizinha, aliado a incompetente gerência da maior crise sanitária do planeta. Observamos a inércia das ações governamentais que confirmam nossa insignificância diante do mercado financeiro internacional.

Hoje há ofensa e desprezo à luta de indígenas, mulheres, lgbts, pessoas com deficiência, pretos e pobres. Ignorados, sem acesso à políticas públicas, os grupos agonizam vendo seus poucos direitos vilipendiados e seus corpos massacrados nas florestas, campos e favelas.

Brasil, que já foi soberano e majestoso, que já desfilou orgulhoso entre as seis maiores potências econômicas, que já teve sua política social como referência à países desenvolvidos; e sua moeda e cultura respeitada em todo mundo… hoje chora.

“Choram Marias, Mahins, Marielles, malês…”

Nesse Dia da Independência, desejo que a VOZ dos EXCLUÍDOS ecoe como um pedido de SOCORRO, idêntico ao GRITO dos oprimidos que garantiu há 36 a nossa LIBERDADE.

Jornalista Pery Camilo