O nascer de um novo ano trouxe à pequena e pacata cidade de Pedro Régis o despertar para uma nova era. Depois de 16 anos de um mesmo grupo político no poder, eis que em 2020 a população opta pela mudança, escolhendo a professora Michele Ribeiro para administrar os destinos da cidade nos próximos quatro anos.

A alternância de poder é esperada e salutar para consolidação da democracia. Sim, isso em qualquer outro lugar do mundo. Em Pedro Régis, não. A certeza da continuidade de gestão, numa máxima de perpetuação de poder, mudando em tese apenas quem liderava, mas com o mesmo grupo, engessou mentes ao ponto de tornarem-se incapazes de distinguir o divisível do que era público e privado. Essa noção não existia mais.

O cansativo mas necessário processo burocrático chamado de transição, não existiu de fato. Informações omitidas, falta de acesso à documentos e informações financeiras importantes para o ponta pé inicial de qualquer agente público em início de mandato, foram simplesmente negligenciados, mesmo sendo direito.

Importante lembrar que a gestão municipal é pública, no entanto, embora seja algo tão evidente, para o grupo perdedor do último pleito, não era assim, e a próxima gestão que lute para correr atrás do prejuízo.

Ao que parece, os quarenta e cinco dias que se passaram depois da derrota humilhante nas urnas, não foram suficientes para que a equipe administrativa do agora ex-prefeito Baia pudesse entender a mensagem que veio da “povo”, e se acostumasse com fato de que teriam que se despedir.

De acordo com a comissão de transição,  nem mesmo os simples vasos com plantas que embelezavam a sede da Prefeitura escapou. Onde foram parar? Só Deus sabe, e uma auditoria futura também.

E como na fatídica lei de Murphy, em outras palavras, aquilo que está ruim, sempre pode piorar… piorou. A entrega das chaves da Prefeitura e demais equipamentos públicos levou mais de 19 horas para ser concluída. Vai, não vai… é agora, não é… e eis que só durante o Ato ecumênico que celebrava a chegada do ano novo e da nova administração, surgem os fiéis escudeiros do ex-gestor para, enfim, entrega-las.

E assim, em mais um, porém último, ato de má fé, melancolicamente se encerrou a gestão de Baia. Fim.

Bastidores Manchete PB