Para morrer, basta estar vivo. Pra aparecer, basta morrer

Cada vez mais me surpreendo com a desumanidade estampada nas redes sociais. Pensava que cena como as que tenho visto só toparia nas minhas aulas de anatomia, no primeiro período de Psicologia. Mas não. E, por favor, não se espante mais do que eu, se você acordar no meio da noite com um ruído indicando mensagem no seu celular e dar de cara com pedaços de pernas, braços, ossos à vista, massa encefálica na pista. Filme de terror perde feio.

Daí, pergunto-me, e se fosse a sua mãe? Ou seu filho, caro leitor? Dá angustia só de imaginar. Mas essas pessoas que um dia se tornaram pedaços tinham famílias. Que provavelmente viram o quanto a ‘passagem’ tornou-se penosa no mundo em que vivemos.

Morrer é um passaporte para sair do anonimato e se tornar superstar nas redes sociais, assim como os bandidos que hoje reinam entre os ‘top’ das celebridades em algumas emissoras de tv, blogs e portais.

Se vocês que compartilham ou publicam fotos de pessoas acidentadas ou mortas de forma inescrupulosa, se não têm coração, tentem ter estômago. Parem! Isso é um alerta! Cadê a vida espiritual de vocês? Não sabem ganhar dinheiro de outra maneira que não seja às custas do sofrimento do outro? E você, leitor, tá na hora de se indignar. Por favor, somos humanos e não dinossauros. Acordem! Reclamem, não compartilhem. Clamem pelo Ministério Público para barrar esse tipo de publicação.

Isso incita a violência. Não educa, não acalenta, faz mal à saúde mental. Deveriam fundar um parlamento pela boa conduta com o humano e exigir punições aos que insistem em desobedecer o direito à vida, à privacidade.

Morrer agora virou vitrine. Quem quiser se exibir, que mate ou morra, de morte matada ou morrida.

A que ponto chegamos! Ei, e esse reclame também vale pra quem insiste em divulgar suicídios. Existe um acordo de cavalheiros entre às empresas sérias de comunicação no mundo e orientação da Organização Mundial de Saúde para se evitar a divulgação sensacionalista de suicídios. Para não estimular. Alguns desavisados ainda o fazem. E o pior, praticamente publicam um manual de como se matar, contando como aquele sujeito tirou a própria vida. Isso é ética, gente. E ética deve ser praticada para seguirmos em paz. Se não foram à universidade para aprender o que é isso, tratem de ler esse artigo e refletir.

Gente assim, sem coração, deveria sim ter punição severa, além da divina. Pra mim, isso é crime.

O artigo 12 da “Declaração Universal dos Direitos Humanos” adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas estabelece que o direito à vida privada é um direito humano:

“Ninguém será objeto de ingerências arbitrárias em sua vida privada, sua família, seu domicílio ou sua correspondência, nem de ataques a sua honra ou a sua reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais ingerências ou ataques.”

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FOI MANCHETE