
A primeira semifinal entre São Paulo e Santos por um lugar na final da Copa do Brasil será lembrada pelos gols de Gabriel, Ricardo Oliveira e Marquinhos Gabriel que deram a vitória por 3 a 1 aos visitantes no Morumbi, pelo bonito gol de Pato que até deixou esparançosos os mais de 26 mil são-paulinos ensopados nas arquibancadas, mas dois elementos fora das quatro linhas chamaram mais a atenção: um apagão e um dilúvio.
No primeiro tempo, o ponteiro no relógio não havia nem dado uma volta quando um apagão deixou o Morumbi às escuras. José Gonçalves, o administrador do estádio, explicou que houve uma oscilação externa que levou os refletores a se apagarem. O Santos ficou no campo. O São Paulo foi para o vestiário. Talvez fosse melhor ter ficado por lá.
Na volta ao jogo, com uma chuva torrencial capaz de encher a Cantareira (OK, talvez não para isso, mas vale a comparação), os dois times sofreram muito para conseguir jogar. O São Paulo até era melhor, contava com partida honesta de Paulo Henrique Ganso, que tentou ser o protagonista contra a ex-equipe, mas foi Gabriel, aos 14 minutos, no primeiro ataque do Santos, que abriu o placar.
O segundo tempo começou com os refletores acesos, mas o São Paulo não deixou o Morumbi sem mais um apagão, desta vez aos moldes daquele famoso no Mineirão em 8 de julho de 2014. Com um minuto de jogo, Rogério Ceni escorregou em escanteio cobrado na sua área, a bola sobrou para Ricardo Oliveira, o artilheiro do Brasil em 2015, e ele não perdoou. Três minutos depois, Marquinhos Gabriel, o improvável e eficiente substituto de Geuvânio, ganhou uma disputa pelo alto, cabeceou bem e ampliou.
O Santos, segundo pior visitante do Brasileirão, é o oposto na Copa do Brasil. Esta foi a quarta vitória em seis jogos longe da Vila Belmiro no torneio. Já havia batido Londrina, Corinthians e Figueirense.
“Um, dois, três, o São Paulo é freguês”, cantou a torcida do Santos. E tem sido mesmo. Nas campanhas dos títulos paulistas de 2010 a 2012 e também no deste ano, o Santos passou pelo São Paulo nas semifinais. Para repetir o feito, pode até perder por 2 a 0 na Vila Belmiro, na próxima quarta-feira, para avançar.
Em seu estádio, a equipe de Dorival Júnior tem um retrospecto fantástico em 2015: foram 27 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota em 32 jogos. A missão do São Paulo é, portanto, quase impossível. A última vez que o Tricolor bateu o Peixe na Vila foi em 2009.
Antes da partida da volta, o São Paulo ainda viverá dias de turbulência. Segunda-feira, o STJD julga o caso do zagueiro Iago Maidana, contratado irregularmente. Na terça, eleições extraordinárias vão apontar o novo presidente do clube.
Ao fim do jogo, quando Alan Kardec perdeu chance clara para diminuir a diferença e com a chuva mais amena, mas ainda castigante, a torcida do Santos preferiu não esperar a volta para setenciar: “Eliminado”. Contra prognósticos e sua crise, o São Paulo tentará rir por último numa remontada que seria épica.
Do IG


