Senado aprova aposentadoria especial para agentes de saúde e de endemias

Foto: Edu Mota/Bahia Notícias

Com 57 votos favoráveis e nenhum contrário, o Senado Federal aprovou, na noite desta terça-feira (25), o Projeto de Lei Complementar (PLP) 185/2024, que regulamenta a aposentadoria especial para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE). A proposta segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

A votação foi acompanhada por dezenas de agentes presentes nas galerias do plenário, representando mais de 400 mil profissionais em todo o país. A mobilização nacional levou caravanas de diversos estados a Brasília.

Mudança histórica para a categoria
De autoria do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), o projeto foi descrito por parlamentares como um marco histórico para a categoria, mas também como um assunto sensível do ponto de vista fiscal. O governo federal classificou a proposta como uma “pauta-bomba”, citando o forte impacto nas contas públicas de União, estados e municípios.

Antes de anunciar o resultado, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) fez um discurso rebatendo críticas por pautar o projeto, negando que se trate de ameaça fiscal e destacando a relevância social da medida.

O que faz um ACS e um ACE?
Ambos desempenham papéis fundamentais no Sistema Único de Saúde (SUS):

  • Agente Comunitário de Saúde (ACS):
    Atua diretamente com as famílias, realizando visitas domiciliares, identificando necessidades de saúde, orientando sobre cuidados preventivos e fortalecendo o vínculo entre comunidade e unidade básica.
  • Agente de Combate às Endemias (ACE):
    Trabalha no controle de doenças, inspecionando ambientes, aplicando larvicidas, combatendo focos de proliferação de vetores e orientando moradores sobre dengue, malária, leishmaniose e doença de Chagas.

O que muda com o PLP 185/2024
O texto regulamenta direitos previstos na Emenda Constitucional 120, garantindo um modelo de aposentadoria raro no serviço público desde a reforma da Previdência:

  • Integralidade: o profissional se aposenta recebendo exatamente o último salário da ativa.
  • Paridade: aposentados recebem os mesmos reajustes concedidos aos servidores em atividade.

Regras de acesso ao benefício:

  • Homens: aposentadoria a partir dos 52 anos
  • Mulheres: a partir dos 50 anos
  • Tempo mínimo: 20 anos de efetivo exercício na função
  • Alternativa: 15 anos na atividade + 10 anos em outra área
  • Pensão por morte: com manutenção dos mesmos benefícios
  • Casos de readaptação funcional: também são contemplados

Atualmente, a maioria dos agentes se aposenta pelo INSS, sem integralidade e sem paridade, recebendo valores limitados ao teto previdenciário — realidade totalmente alterada com o novo projeto.

Impacto fiscal preocupa municípios
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgou nota manifestando “profunda preocupação” com a aprovação. Segundo a entidade, o PLP pode gerar impacto de R$ 103 bilhões aos cofres municipais nas próximas décadas.

A principal consequência, segundo a CNM, seria o aumento do déficit atuarial dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), que já ultrapassa R$ 1,1 trilhão.

Próximos passos
O projeto segue agora para a Câmara dos Deputados, onde deverá ser analisado nas comissões e posteriormente votado no plenário. Se aprovado sem alterações, será enviado à sanção presidencial.

Enquanto avançam as discussões, agentes comunitários e de endemias comemoram o que consideram uma vitória histórica, enquanto governo e municípios alertam para o desafio fiscal que a medida pode representar.

Da Redação
ManchetePB

Compartilhe

FOI MANCHETE